Comitê Baiano Pela Verdade – CBV
MANIFESTO
“Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo.”
Sófocles/Antígona
A Bahia, terra onde começou a história do Brasil, proclama seu desejo de que ela seja reconstruída com base na verdade. Por isso, criamos o Comitê Baiano Pela Verdade para lutar pela aprovação do projeto de lei 7376/10, há mais de um ano no Congresso Nacional, que cria a Comissão Nacional da Verdade e, também, para fornecer elementos ao seu trabalho de reconstituição das violações dos direitos humanos ocorridas na história recente do Brasil.
Reconhecemos e continuamos a luta vitoriosa pela Anistia, incompleta, porém maior do que a inicialmente desejada pelo Regime Militar; o esforço de todos que na Constituição e nas leis, a ampliaram; o trabalho da Comissão Nacional de Anistia que, em milhares de processos, reconhece a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos causados a militantes políticos e seus familiares; a determinação da Comissão Nacional dos Mortos e Desaparecidos, que exige o direito, já arguido, contra o Estado, por Antígona, no 5º século antes de Cristo, dos familiares enterrarem seus mortos; o reconhecimento pelo Estado do direito dos brasileiros à Memória e à Verdade. No Brasil há dezenas de militantes políticos ainda desaparecidos.
A Comissão Nacional da Verdade é mais uma etapa no longo caminho da construção de uma autêntica democracia. Composta por expressivas personalidades, com poder para requisitar documentos e convocar testemunhas, com assessores qualificados e apoio da sociedade civil, terá condições de reconstituir, com objetividade, as violações de direitos humanos ocorridas no, passar à limpo nossas instituições civis e militares e recolocar, na agenda política do Brasil, o compromisso com a memória e a verdade, nos alinhando aos demais países latino-americanos.
Sabemos que a memória é parte da identidade das pessoas e dos povos. Esconder ou pretender recalcar os fatos, mantém sombras e traumas que se precisa iluminar e superar.
O sucesso da Comissão Nacional da Verdade ajudará a não repetição das violações, o reconhecimento social do sofrimento das vítimas e fornecerá, não só aos historiadores, mas a todos os brasileiros, base sólida para conhecer o seu passado e construir o futuro do Brasil. A adesão a este manifesto expressa a mobilização crescente e a firme compromisso de luta dos baianos:
Salvador, 15 de junho de 2011.

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